A Pobreza Teológica da Teologia da Prosperidade

IPBPVA - janeiro 31, 2015

Nada tem agredido tanto o Evangelho de Cristo na atualidade como esta anomalia chamada Teologia da Prosperidade ou Confissão Positiva. Que em síntese prega a salvação como um meio para a prosperidade financeira. Seus expositores afirmam que o cristão verdadeiro tem o direito de exigir e desfrutar de uma prosperidade material nesta vida.

O surgimento desta teologia se deu em 1940 nos EUA com E. W. Kenyon, que desenvolveu estudos sobre o poder da mente e o poder do pensamento positivo. Mas teve maior expressão com Kenneth Hagin que ensinou a famosa "fórmula da fé", a qual ensina que se alguém deseja algo de Jesus, basta segui-la: 1) "Diga a coisa" positiva ou negativamente, tudo depende do indivíduo. Essa é a essência da confissão positiva. 2) "Faça a coisa". "Seus atos derrotam-no ou lhe dão vitória. 3) "Receba a coisa". A fé é o pino da tomada. Basta conectá-lo. 4) "Conte a coisa" a fim de que outros também possam crer".  Segundo ele, o cristão deve usar as expressões: exijo, decreto, declaro, determino, reivindico, em lugar de dizer: peço, rogo, suplico; jamais dizer: "se for da tua vontade", pois isto destrói a fé.

No Brasil ela teve grande espaço principalmente nas Igrejas  Neo-Pentecostais, que abusam da autoajuda em sua mensagem, mas teve reflexos também nas Igrejas Pentecostais, Históricas e Católica Romana.      

Foi comprovado pelo IBGE que os evangélicos que mais contribuem com estas igrejas que pregam esta teologia, são os religiosos mais pobres do País. Ou seja, essa teologia na prática não funciona. Aliás, funciona apenas para seus líderes, que são os únicos que desfrutam da suposta prosperidade a qual pregam.

Sociólogos apontam que isto tem gerado decepção. Porque, ao contrário do prometido, muitos fiéis continuam doentes e desempregados, em contraste com o enriquecimento rápido e ostentação de seus líderes.

Esta teologia tem trazido tristes consequências para toda a Igreja Evangélica, pois ela atinge conceitos elementares da Teologia cristã. Dentre tantos, ressaltamos os conceitos mais cruciais:

Conceito de Deus: Esta relação "toma lá, dá cá", entre o crente e Deus, solapa a linda relação de Pai e filho. Cria uma ideia de um deus pequeno e manipulado, movido pelo dinheiro, como um deus pagão que está à disposição de qualquer um que o agradar e o comprar com seu dinheiro, não interessando se há relacionamento algum entre ambos.

Conceito da Palavra de Deus: Textos fora de contexto são seus pretextos, a Bíblia é usada como muleta para apoiar suas distorções. Enfatiza-se em demasiado as promessas de Deus de maneira equivocada, deixando de lado a mensagem de Jesus do negar a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo. Mt 16.24, e do arrependimento e consequente mudança radical de vida. Mt 3.2

Conceito de Adoração: É gritante a pobreza do conteúdo das letras dos cânticos evangélicos. O que seria louvor ao Deus majestoso tem sua ênfase no homem, porque hoje o meu milagre vai chegar, e eu sei que chegará minha vez, e o Deus Todo Poderoso e sua glória ficam em segundo plano.

Conceito de Oração: Orar como Jesus nos ensinou, chamá-lo de nosso Pai, descansar em sua soberania, humilhar-se diante dele e suplicar para que  ele faça a sua vontade em nossa vida, é coisa do passado, a ordem hoje é determinar, colocar Deus na parede e exigir que ele responda rapidamente.

Conceito de Igreja: A Casa de Deus como lugar de comunhão, abrigo para o cansado e oprimido e do serviço em prol do próximo e do Reino de Deus, deu espaço a “igrejas franquiadas”, lideradas por “pastores comissionados” e auto intitulados, e  consumidores ou meros clientes,  que a tornaram a casa de Deus, num lugar puramente comercial, onde  cultos obedecem à lei do aquecido e rentável mercado da fé.

Além de gerar uma triste inversão de valores, onde o efêmero é supervalorizado em detrimento do eterno, esta teologia tem construído em nossas Igrejas uma geração de cristãos superficiais, e já não se busca Deus para amá-lo e servi-lo, mas apenas suas bênçãos e suas manifestações.

Portanto é tempo de manifestarmos publicamente nossa discordância a esta teologia e proclamar o Evangelho puro e simples de Cristo Jesus que nos adverte em sua para a Palavra, “se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, são homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro... Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão.ITm 6.3-11

Em Cristo Jesus, 

                                                            Rev. Paulo Froes

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